sexta-feira, 31 de outubro de 2008

DESENHO FEITO POR OTÁVIO FANTINATO E JORGE ELÔ



Este desenho foi feito por mim e uma figura talentosa e sensível que conheci no final de semana passado. O cara veio de Sampa na caravana da UNE e acabamos trocando uns bons papos, bebendo e fazendo arte - no bom sentido, é claro. Ele, além de desenhar, é malabarista profissional.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Por que trabalhar com releituras de pintores clássicos? - Discurso de abertura da exposição “CLÁSSICOS À NANQUIM”.

As obras dos artistas clássicos sempre foram uma temática que me interessaram. Porém, tenho que confessar que a idéia da exposição ocorreu meio por acaso. Acontece que minha esposa Oziella também é uma grande apreciadora da pintura, e desta forma, decidi produzir algumas releituras para ela. No começo, fazia em folhas A4, sem muitas pretensões estéticas, somente para presenteá-la. Após a execução de três gravuras, ela sugeriu que poderíamos fazer uma exposição, e a partir de então, passei a realizar as releituras em papel A3 Canson, utilizando-me apenas de lápis, borracha e uma caneta nanquim 0,5. Nada mais.
A escolha pelo uso do mínimo recurso possível estava ligada à idéia de que a arte não precisa ser elitista para ser bela e nem o artista necessita ser um privilegiado, nascido em berço de ouro. Acredito que a arte está ao alcance de todos àqueles que possuem sensibilidade para se expressar, independente da classe social ao qual estejam incluídos. O mesmo vale para o público que irá prestigiar a exposição, pois acreditamos que a partir desta, diversas pessoas poderão ter o primeiro contato com o universo da pintura clássica universal. Não é justo que somente um grupo seleto (denominado de “elite intelectual”) tenha acesso à emoção presente nos quadros dos pintores clássicos.
A escolha do tema também engloba uma crítica que faço ao estilo conhecido como Arte Contemporânea, que costumo chamar de “Arte Decorativa”. Trata-se do estilo que sofreu a influência de Marcel Duchamp, artista francês que viveu no início do século XX. A partir de então, telas abstratas, repletas de cores, passaram a ser consideradas arte e o universo do artista se estendeu a tudo que estivesse ao alcance de suas mãos. Ele passou a explorar diversos materiais e maneiras de criar, chegando ao absurdo do que hoje é conhecido como ‘Instalação’. Na verdade, o problema nem se encontra nessa transformação do artista e sim na frivolidade de suas obras e, acima de tudo, na falta de compromisso em ser compreendido. Como exemplo disso, encontramos na exposição uma releitura de Lèger, do seu quadro intitulado “Composição com Folha”. Tive a preocupação de colocar um artista como Lèger para que o público perceba os antagonismos entre seu quadro e os diversos outros presentes na exposição.
Quando tentamos fazer uma analogia com um artista como Van Gogh, que produziu mais de 800 obras e vendeu somente uma em vida, pode-se entender perfeitamente minha crítica. Embora recebesse pouca atenção em sua época, a dedicação dele foi total, ele acreditava no que fazia como eu acredito, posto que podemos perceber fragmentos de sua vida em suas obras, assim como em cada quadro exposto, está uma parte de mim e daquilo em que creio. Contraditoriamente, não consigo encontrar sentimento nas pinturas atuais. Talvez Lucian Freud. Parece-me que a ganância da vida contemporânea acabou por dissolver a arte em algo fugaz, vazio, com a única pretensão de que seja vendável.
A escolha das obras teve como primeiro critério a possibilidade da transição da técnica a óleo para a técnica a nanquim. Nem todos os artistas que gosto daria para fazer essa transição. Turner é um desses exemplos. Outro critério foi a importância histórica do artista retratado. Se bem que nem todos os artistas seguiram esse critério. Kunyoshi, por exemplo, pintor de estampas japonesas, talvez nem seja tão conhecido, mas foi escolhido pelo talento que possuía. Por fim, acredito que o que predominou foi de fato a possibilidade de transição entre as duas técnicas.
Creio que Clássicos à Nanquim fará com que diversas pessoas que não conhecem as pinturas clássicas passem a conhecer e procurem se aprofundar no tema. Este é o meu maior desejo. Mas o principal é que essa exposição é fruto exclusivo do esforço de Oziella e meu. É verdade que contamos com o patrocínio das molduras e folderes da UEPB, além de alguns apoios para o vernissage, porém as idas e vindas que ocorreram até que a exposição se concretizasse não foram fáceis. A elaboração das obras custou-me quatro meses. Os outros cinco meses foram de batalhas para colocar as obras expostas. E acreditem, embora tenha passado três dias diante de uma obra para deixá-la pronta, nada foi mais difícil do que encontrar apoio para executar essa exposição aqui em Campina Grande.

domingo, 28 de setembro de 2008

Verso do folder da minha exposição "Clássicos à Nanquim", que sairá em meados do mês que vem. O texto é de Ozzy, minha querida esposa! Logo, logo estarei anunciando a data exata.

BARATÃO #38

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Desenho para Ong Menina Feliz



Tenho andado um pouco distante do blog, eu sei. Acontece que estou vendo se consigo realizar outros projetos, e isso acaba consumindo minha criatividade para tirinhas. E neste meio tempo, vou fazendo algo por aqui e por ali. Logo volto com as tirinhas.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Ilustração do COBREFIL


Ilustração que elaborei para o cartaz do Congresso Brasileiro dos Estudantes de Filosofia (COBREFIL), realizado aqui na cidade, no mês de julho de 2008. As personagens são, da esquerda para direita, Platão, Ranah Arendt e Kant. Os três filósofos foram dispostos de maneira semelhante às esculturas de concreto que representam os Tropeiros da Borborema - situadas às margens do Açude Velho e símbolos de Campina Grande.

terça-feira, 8 de julho de 2008

DESENHO FEITO NO VAI E VEM DO FIM DE SEMANA


O fundo foi inspirado no mangá de Taiyo Matsumoto intitulado Preto e Branco.
O dragão é Shen Long, do Autor Akira Toriyama, criador do Drangon Ball.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

NON-SEQUITUR




A Non-Sequitur é uma das seis categorias – dentre diversas outras possíveis - das transições quadro-a-quadro das histórias em quadrinhos, analisadas por Scott McCloud em seu livro Desvendando os Quadrinhos.
Neste livro, que se utiliza da própria linguagem dos quadrinhos para analisar a linguagem dos quadrinhos, McCloud mostra-nos que as transições de tema, tempo e espaço, ocorridas entre um quadro e outro, são imensas. E assim escolhe incluí-las em seis categorias distintas de transição:
- momento-a-momento
- ação-para-ação
- tema-para-tema
- cena-para-cena
- aspecto-para-aspecto
- Non-sequitur

A transição Non-sequitur seria caracterizada pela falta de qualquer seqüência lógica entre um quadro e o outro lhe segue, seja no tema, no espaço ou no tempo. Porém, para McCloud, “essas transições podem não fazer ‘sentido’ de uma forma tradicional, mas algum tipo de relação acaba se desenvolvendo”. Desta forma, “criando uma seqüência de duas ou mais imagens, nós damos a ela uma identidade, forçando o leitor a considerar essas imagens como um todo”.
Fiquei fascinado pelas possibilidades que esse tipo de transição oferece. Decidi assim fazer algumas tirinhas utilizando-me deste recurso. Esta é a primeira de algumas. Claro que os desenhos possuem um significado para mim, e também criei várias possibilidades de relações entre eles. Mas prefiro não falar nada sobre isso. Vou deixar que vocês próprios criem seus significados e relações para esta tirinha. Deixo que sejam os autores.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

A Liberdade e a Ambição



Esse é um um quadro intitulado "A Liberdade e a Ambição", que fiz para o curso de Biologia da UEPB e que se encontra exposto no CA deste mesmo curso. Na ocasião da entrega, na "I Semana de Integração das Faunas", li um texto sobre o tema que me inspirou o quadro.

A liberdade e a ambição

Do lado esquerdo, um senhor alado encontra-se sentado na janela, com o braço esquerdo estendido. Rosas preenchem as paredes onde ele está, e a luz completa o tom singelo deste lado do quadro. Este senhor franzino e nu é a liberdade.

No canto oposto, ou seja, do lado direito, está um rei corpulento e com ar de superioridade, bebendo algo em uma luxuosa taça de cristal sustentada em sua mão direita. Na outra mão, podemos perceber que sustenta uma jarra coberta por pedras preciosas. Este rei, sentado em uma confortável cadeira e vestido com tecidos nobres, é a ambição. No centro do quadro está um cachorro, protetor da ambição, que ameaça a liberdade.

Todo o quadro foi composto em cima dos antagonismos existente entre a liberdade e a ambição. Acreditamos que ninguém livre pode ser ambicioso, assim como ninguém ambicioso é livre. A liberdade tem asas, é leve e está somente de passagem. A ambição é corpulenta, inerte e permanecerá neste canto escuro e úmido por séculos. A liberdade anda nu e só. A ambição tem guarda costa e se veste de forma extravagante. A liberdade sabe que é livre, a ambição sempre almeja ser algo mais.

Vivemos em tempos onde a ambição e a liberdade se confunde. Somos instruídos, desde pequenos, a crer que o dinheiro traz consigo a liberdade, e que somente com ele seremos livres. Assim, naturalizamos a competição, desejando a qualquer custo os cargos de chefia. Vivemos em batalha, consigo e com o próximo, com o único intuito de saciar nossa vontade de poder. Moldamo-nos, reproduzimos valores e posturas, vestimo-nos “adequadamente”, compramos objetos diversos e inúteis, por fim, materializamos o que cremos ser a liberdade. Porém, nunca estamos satisfeitos.

O erro consiste em crer que a liberdade é algo a ser alcançado, através de ações que visam o poder e o dinheiro. Pensar assim é negar a liberdade que há em nossa volta, na vida que pulsa na natureza e nos insetos que habitam nossas casas. Quem, por mais dinheiro e poder, pode dizer que a pequena aranha que tece sua teia não é livre? Ela certamente já se encontra livre, não necessita de mais nada para se sentir assim. Poderíamos perguntar enfim, o que é a liberdade?

Para Krishnamurt, filósofo indiano, “a liberdade não é uma idéia intelectual de que nos servimos como fuga à nossa escravidão, nosso sofrimento, nossa entediante rotina diária (...) a liberdade não se obtém por meio de busca, pois não se pode procurar a liberdade – ela não é para ser achada.” Para sermos livres, basta compreender nossa insignificância no mundo, enquanto uma simples existência que habita e perpetua a vida na terra. Assim sendo, ser livre significa respeito, amor e reciprocidade a tudo que também é vivo. É respeitar sua singularidade, sem que para isso, seja necessário extinguir a individualidade alheia. Ser livre é ver-se como livre. Não é preciso almejar, conquistar nada.

O ambicioso não pode ser livre, pois nunca cessa sua ânsia de conquista, não há um ponto final. Ele sempre desejará mais, seu único objetivo é ser ver rico e numa posição social respeitável, e quanto mais alto subir, tanto mais sofrimento causará a outros, pois para galgar posições, terá de competir, de ser cruel.

As influências estéticas do quadro.

Os modelos do rei e do cachorro foram retirados de um quadro chamado “O Rei Bebe!”, do pintor Jacob Jordaens, executado entre 1640 e 1645. O quadro retrata um festejo em homenagem ao rei chamado o dia da Epifania, comum em muitos paises europeus católicos até os dias atuais.

Já o rosto da liberdade (e somente o rosto), foi reproduzido do quadro do pintor holandês Rembrandt, chamado “Jacob abençoando os filhos de José”, de 1656. A escolha de um modelo de um quadro de Rembrandt foi simbólica devido à trajetória singular da vida do pintor. Rembrandt conheceu a glória aos 30 anos de idade. Ficou rico e famoso, tendo montado um atelier em Amsterdam. Retratou os sucedidos burgueses, e se o quadro levava o nome do pintor, aumentava o prestígio do retratado.

Com o passar dos anos, Rembrandt conheceu o fracasso. Os burgueses esperavam ver nas paredes de seus domicílios quadros que retratassem o dono da casa, a dona da casa, os filhos, os criados, as roupas, os objetos de uso, os móveis, os animais de estimação e até a comida. Entretanto, Rembrandt elaborava, através de suas pinturas, análises das almas dos retratados, pintava o que queria, o que via e sentia. Devido a isso, começaram a rarear as encomendas, pois ninguém queria pendurar em sua sala críticas sobre si mesmo. Desta forma, o pintor chegou miserável ao fim da vida, aos 63 anos. Embora renegado e incompreendido, não deixou de fazer o que queria. Foi, definitivamente, um homem livre.